Poema: Preconceito à depressão


Não julgue minha dor
Não julgue minha doença
Não me acuse por não estar bem
Eu não acordo feliz
Eu não levanto motivada
Aliás, levantar por si só
É uma batalha travada todos os dias

Talvez um passo meu valha mais
Que um quilômetro de sua caminhada
Preconceituosa e vazia
Se levanto é porque sou muito forte,
Se você estivesse em meu lugar
Se quer moveria os lábios
Do alto de sua hipocrisia mal encenada
É impossível amar alguém

Um suicida só vive
Porque há muito amor dentro dele
E trocando em miúdos
Não troco minha batalha diária
Regada de dor, amor, conquistas, perdas
Vitórias, derrotas, tropeços e recomeços
Por sua vida pseudoperfeita
Preenchida de hipocrisia e egocentrismo

Quando me ver sorrindo
Não é porque estou bem
É porque estou lutando
Quando me ver caminhar
Não é porque estou curada
É porque juntei forças a semana inteira
Para sair da cama ao menos por um dia

Se sinto e se me prosto
É porque sou humana, sou real
Eu vivo a vida ao invés de encena-la
Minha história e meu legado
Serão muito verdejantes
Porque foram regados com lágrimas de sinceridade

Ana Paula França, Cuiabá, Inverno de 2017

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