Como eu descobri ser autista


Uma pergunta que sempre ouço é: Como você descobriu que é autista?
E por ser uma resposta complexa, como tudo no Transtorno do Espectro Autista (TEA), resolvi fazer esta postagem explicando.
A suspeita de que eu fosse autista, iniciou após meu filho ser diagnosticado no Espectro, e eu começar a ler alguns relatos de pais que descobriram que também eram autistas já adultos, após o diagnóstico de seus filhos. Então comecei a me aprofundar sobre o assunto, a estudar testes para crianças e analisar se eu agia assim na infância, além das explicações médicas sobre o meu filho. Inclusive um dos fatores que contribuiu para minha relutância em aceitar o diagnóstico do meu filho é que os comportamentos que eram apontados como do espectro eu considerava normal e ainda pensava comigo, "ora, isto é normal, eu também sou assim". Até que chegou um ponto que me questionei: são realmente atitudes " normais" ou será que eu também sou autista? Comecei a analisar minha vida, o que sentia e rever minha infância através do conteúdo médico sobre autismo.
Neste momento descobri que também sou parte desse mundo azul, e o mais incrível é que fiquei feliz e aliviada. Pela primeira vez em 29 anos me senti parte de algo, senti que tenho um lugar no mundo, e que existem outras pessoas como eu. Foi libertador, o sentimento de culpa por não me enquadrar nos padrões da sociedade se dissipou. Porque agora sei que vejo e sinto o mundo diferente das outras pessoas, entendo melhor minhas limitações, aprendi a administrar melhor os efeitos dos estímulos, porque agora entendo como as coisas ao meu redor podem me afetar. E passei a falar sem medo do que sinto e vejo, porque sei que pode ajudar outras pessoas no Espectro. Embora o preconceito e a hipocrisia das pessoas tem ficado cada vez mais nítido, inclusive, entre aqueles que se dizem defensores da causa.
Não me culpo, nem me cobro mais se hoje eu não conseguir comer aquele alimento, é que neste dia meu paladar está mais sensível, não é frescura. Se ontem até os menores ruídos me causavam dor, hoje talvez a música alta não me afete. Assim estou lidando melhor com tudo a minha volta.
Sei que esta sucinta postagem não explica, principalmente para quem já me conhece há algum tempo, como sou autista. Por isto, irei escrever outros posts sobre os sintomas do autismo e como eles afetam nossa vida. Espero conseguir elucidar algumas dúvidas e contribuir com outras famílias.
Beijos azuis :*

0 comentários:

Postar um comentário