Uma metáfora de vampiros


Hoje estava escutando uma música que acho linda e triste ao mesmo tempo, The Scientist do Coldplay. Desde a primeira vez que ouvi essa música, compreendendo apenas poucas palavras do idioma inglês, o sentimento de tristeza e alegria me foram despertados, o toque do piano, a melodia, a entonação do cantor, me fazem sentir uma tristeza serena, não aquela tristeza que dói, mas uma tristeza que liberta, aquela tristeza que nos dá insight, e justamente por isto nos alegra, com aquele sentimento de paz e sossego por algo concluído. Depois li a letra traduzida, e realmente é muito semelhante a estória percebida por meu cérebro inicialmente, ao menos em minha interpretação textual.
As músicas me causam isto, independente do idioma, de eu entender ou não. Me despertam sentimentos e emoções complexas como se contassem uma história com começo, meio e fim. Não sei se para outras pessoas é assim, ou se é mais uma doce/terrível característica que o autismo me deu. Já que descobri que sou sinestésica.
Mas o vídeo que me inspirou a escrever este texto, é com cenas do filme Crepúsculo com essa música de fundo. E vendo as cenas, com os sentimentos que esta música me desperta, fica fácil fazer uma metáfora das cenas e do amor. Embora a protagonista Bella fique encantada e embriagada de paixão pelo vampiro Edward, o medo de sua condição de vampiro a aterroriza, fazendo-a esquivar-se e fugir.
E não é assim também conosco meros mortais? O encantamento do novo, da descoberta de quem é o outro, do que gosta e não gosta, do que faz e não faz, da atração física, tudo alimentando o fogo desgovernado da paixão. Mas, e sempre há um mas, ele é diferente demais, ele é vampiro. Vai dar certo? Não pode dar certo! Um humano e um vampiro? E porque não dizer um autista e um normal? Ah não, isto não pode dar certo!
Na sequência do vídeo, eles estão juntos e enfrentando obstáculos (não assisti ao filme, então não sei a história, refiro-me ao vídeo já citado acima). E assim também é na vida, podemos fugir das dúvidas, ao menos por um tempo, como eles fizeram. E depois há que se decidir em arriscar ou abandonar de vez. Talvez o destino tenha decidido por eles, já que Edward protegia Bella sempre que corria perigo, parecendo adivinhar o que ela sentia e precisava naquele exato momento. As habilidades de Edward pareciam encantar e aterrorizar simultaneamente a Bella, que não pôde ou não quis desvencilhar-se dele.
Quantas semelhanças com os desafios diários da paixão e do amor que vivemos. Nesta metáfora temos Bella, a humana, como nós mesmos, e Edward, o vampiro, como os medos e desafios que o desconhecido e o novo causam.
Mas que graça teriam o amor e a paixão se não oferecesse desafios e medos? 
Porque o medo é que nos faz ficar atentos e os desafios nos fazem crescer. Ao fim, é fácil concluir que nem todos quebra-cabeças são pra serem decifrados, alguns devem apenas serem vividos, outros, por sua vez de tão especial, único e belo, devem ser guardados em lindas e resistentes caixas. Alguns podem dizer que guardar constitui uma fuga, ou medo, talvez seja, mas quem pode ter certeza quando o assunto é o coração?

Abraços azuis!

P.s. Link do respectivo vídeo aqui.

0 comentários:

Postar um comentário